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Ansiedade do Aprendizado

 

Ansiedade do Aprendizado

Edgar Schein, professor do MIT, diz que só aprendemos quando temos necessidade de sobrevivência.

Em busca de vantagem competitiva, as empresas têm investido tempo, uma boa dose de energia e bastante dinheiro para se transformar. Muito desse esforço, no entanto, acaba sendo em vão, pois a maioria das pessoas continua trabalhando exatamente da mesma forma. Onde está a deficiência? Segundo o professor Edgar Schein, do Massachusetts Institute of Technology(MIT), no processo de aprendizado. Schein é um dos mais renomados especialistas em desenvolvimento organizacional no mundo. Foi ele quem elaborou algumas das teorias sobre o comportamento das pessoas no ambiente de trabalho mais aceitas atualmente.
Como consultor, já teve entre seus clientes gigantes como Apple, Citibank, Procter & Gamble, A1coa, Hewlett-Packard e Shell.

Quando o assunto é o processo de aprendizado nas organizações, Schein procura ser cauteloso. Embora muitos preguem que o aprendizado seja sinônimo de satisfação, ele o considera uma fonte de ansiedade e de culpa. É que, para aprender algo novo, as pessoas geralmente precisam se desfazer de alguns conhecimentos.
Schein traça um paralelo entre o processo de aprendizado organizacional e o que chamamos de "lavagem cerebral", situação em que as pessoas são pressionadas a adotar novas crenças sem escapatória.

A carreira de Schein começou de forma pouco convencional. Seu primeiro projeto de pesquisa foi na Coréia, em 1953, logo apóso fim da guerra. Em seus estudos, ele observava os efeitos da lavagem cerebral a que os americanos prisioneiros de guerra eram submetidos por seus captores nos campos de concentração. Essa pesquisa inicial foi a base do trabalho que ele desenvolveu nos 40 anos seguintes. A seguir, a entrevista que Schein concedeu a VOCÊ SA de Cambridge, Massachusetts.

Por que aprendizado e mudança são mais uma fonte de frustração do que de satisfação?

Isso depende do que você está aprendendo, se é uma área nova ou uma área em que precisa "desaprender" algo antes. Por exemmplo: eu estou tendo aulas de ópera. Quanto mais aprendo, mais gosto. Também estou tentando aprender um novo saque de tênis. Isso é frustrante porque todos os meus velhos hábitos devem ser descartados. Se a empresa começar um programa de mudança, os empregados precisam primeiro "desaprender" os antigos valores - e isso provoca ansiedade.

Então, o nível de ansiedade sempre depende do tipo de aprendizado e do conhecimento prévio do assunto?

Sim. Mas também depende do nível de dificuldade do aprendizado. Por exemplo, se estou aprendendo a usar o computador, esse novo aprendizado se somará ao meu conhecimento anterior. Não há nada para desaprender. Isso pode ser frustrante, mas não provocará ansiedade.

Como é possível identificar se estamos aprendendo de fato ou se estamos sendo submetidos a uma lavagem cerebral?

O ato de aprender não é oposto à lavagem cerebral. Esta simplesmente se refere a um tipo de aprendizado que se encaixa no sistema de valores de outra pessoa, à qual, por algum motivo, você está submetido. Mas a forma de avaliar esse tipo de aprendizado é a mesma de avaliar o que você tem na empresa, na escola ou com os pais, independente de quem esteja fazendo lavagem cerebral em você. Eu não acho justo pensar que esse processo seja apenas negativo, porque,quando estão ensinando seus valores aos filhos, os pais estão na verdade fazendo cerebral neles. Tudo depende de quem está fazendo e dos valores em questão.

O senhor pode nos dar outro exemplo em que considere a lavagem cerebral algo positivo?

Uma empresa decide que, em vez de ter papel circulando entre os departamentos, comprará computadores para todos e adotará o uso de e-mail. Por isso o presidente diz que todos deverão aprender a trabalhar com o computador e a utilizar e-mail, papéis não serão aceitos dali para frente. Do ponto de vista dos empregados, eles estão sendo submetidos a uma lavagem cerebral para usar essa nova tecnologia. Todos concordam que é frustrante no momento em que estão absorvendo as novas informações, mas, depois que aprendem, reconhecem que se trata de um sistema mais eficiente.

Como as pessoas podem identificar se estão sendo submetidas a um sistema desses e como podem evitá-lo ou ao menos se preservar?

Quando a indústria de telefonia estava sendo desregulamentada, os funcionários das antigas estatais tiveram de se adaptar ao ambiente competitivo do setor de telecomunicação. As empresas privatizadas começaram a exigir que os funcionários se tornassem mais agressivos, o que fez com que alguns profissionais até se desligassem das companhias. O funcionário é quem deve julgar se está sendo submetido a uma lavagem cerebral de maneira justa ou injusta. Cabe a ele fazer uma análise da situação e tomar a decisão.

Quer dizer que algumas vezes não há outra opção a não ser deixar a empresa?

Sim. A situação gera um problema de identidade. A empresa pede que você faça algo que não tem a ver com seus valores ou com sua personalidade.

O senhor pode explicar a diferença entre ansiedade do aprendizado e ansiedade de sobrevivência?

Quando estou trabalhando em uma empresa, e o meu chefe diz: "Você deve aprender isto ou vai perder seu emprego", isso acaba gerando em mim a ansiedade de sobrevivência. Se olho para essa nova técnica que devo aprender, percebo que ela me fará perder a identidade e creio que não conseguirei aprendê-la, estou tendo ansiedade do aprendizado.

Então o senhor acredita que a melhor maneira de aprender é por meio da ansiedade de sobrevivência?

Acho que o processo de aprendizado só acontece se a ansiedade de sobrevivênda for maior que a ansiedade do aprendizado. Se a ansiedade do aprendizado for maior, a pessoa acaba se auto-sabotando.

A gente perde a memória com a idade?

Encontramos motivação porque queremos melhorar nosso desempenho para conseguir a aprovação do chefe e do grupo. Além disso, o aprendizado, depois de concluído, dá satisfação.

Em que circunstâncias as pessoas opõem mais resistência ao aprendizado?

Isso pode acontecer em diferentes situações. O mais comum é quando o aprendizado pressupõe alguma forma de mudança na identidade do profissional. Outro motivo é a insegurança. As pessoas temem ser punidas pelos colegas caso tentem sair-se melhor que eles. Normalmente a resistência ao aprendizado é uma mistura de quatro a cinco forças diferentes.

E a maioria está relacionada ao medo?

Absolutamente. O medo é a base da resistência na hora de aprender.

Como o grupo influencia o aprendizado do indivíduo? Existe uma pressão social que afeta o processo de aprendizado?

Sim, claro. Em qualquer grupo, se você não fizer as coisas de acordo com as regras, começará a ser ignorado e a se sentir mal. Grupos são coercitivos por definição. As pessoas de um grupo compartilham uma visão de como as coisas devem ser feitas.

Existe diferença entre lavagem cerebral e o termo que o senhor usa - coerção persuasiva?

Na minha opinião, trata-se da mesma coisa. Eu prefiro o termo coerção persuasiva porque retrata melhor como o processo realmente funciona. Nessa situação, uma pessoa é refém da outra. O refém é mantido sob pressão até perceber que não tem como escapar. Aí é que começa o processo de persuasão, que acaba funcionando porque o refém não consegue escapar.

E por que as empresas estão usando isso como ferramenta de gerenciamento?

O contrato empregatício diz aos funcionários: "Se você vier trabalhar aqui, essa é a forma pela qual você deve fazer as coisas. Se não gostar, procure outro emprego". Desde o início, o funcionário sabe que a empresa quer trabalhar de sua própria maneira e, se ele pretende desenvolver a carreira lá, as pressões vão continuar existindo. As empresas fazem isso para se manter organizadas. Como você pode manter uma companhia organizada se todo mundo faz as coisas de forma diferente? Não se trata de opção, e sim de necessidade. Por isso é que o aprendizado organizacional é sempre coercitivo.

Jack Welch é aclamado como um dos melhores líderes empresariais. O que o senhor diria sobre seu estilo de liderança?

Eu não conheço muitos detalhes, mas sei que ele impôs algumas regras ou valores a seus executivos. Há uma história que reforça isso: Welch demitiu dois altos executivos que tiveram uma boa performance econômica, mas que não atingiram os objetivos da forma como ele queria. Com essa atitude, ele deixou claro que o trabalho deveria ser feito exatamente do jeito que a organização determinasse.

Existe alguma conseqüência para a empresa que usa demais o recurso da coerção?

Eu me preocuparia mais com o pouco uso da coerção. Vamos examinar, por exemplo, as usinas nucleares ou as empresas aéreas. Você preferiria que a empresa aérea dissesse a seus funcionários de segurança: "Nós temos esta idéia sobre como promover a segurança, mas vocês podem decidir como fazer". Em qualquer área em que a segurança esteja envolvida, é preciso coerção para garantir que os procedimentos sejam feitos corretamente - e os funcionários aceitem isso. Não se pode generalizar se há muita ou pouca coerção sem antes examinar o tipo de trabalho. Por outro lado, se estamos falando de um departamento de pesquisa e desenvolvimento, a coerção pode inibir a criatividade.

O senhor poderia comentar a afirmação de Karl Deutsch de que poder é a habilidade de não ter de aprender nada?

Eu acho que essa é uma descrição fiel da situação em que as pessoas adquirem poder. Elas passam a acreditar que já sabem tudo, e torna-se difícil ensinar qualquer coisa a elas.

Por que precisamos desaprender? Existe sempre um conflito entre o que precisamos aprender e aqilo que já sabemos?

Não, mas é comum. Na idade adulta, já sabemos muitas coisas. Por isso, é provável que algo novo entre em conflito com o que já sabemos. Essa probabilidade aumenta à medida que a idade avança.

Fonte: Revista Você S.A. - por Mariana Lemann

 

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